domingo, janeiro 24, 2010

O mundo é um álbum de figurinhas

Era pra ser uma viagem de família só. Tudo bem que família e Tailândia é meio ousado. Mas muito mais ousado que isso são as agruras que vamos passar por ir a reboque de milhagem de companhia aérea.

Quem vai de milha não tem vôo direto. Se é pra ir pro outro lado do mundo então, aí a lógica da linha reta se perde por completo. Nosso mês na Tailândia, sonho acalentado há décadas, fruto do esforço de várias gerações desde a chegada dos primeiros imigrantes das famílias Rego (do japonês, se pronuncia com circunflexo no O) e Buenting (do chinês, evidentemente), nosso mês na Tailândia virou uma viagem pinga-pinga, dessas que mal você desembarca numa cidade já tem que correr pra próxima.

Pensamos todos o mesmo agora, né? Viagem perfeita! Eu também. A família, no entanto, não partilha das idiossincrasias da comunidade leitora deste blog. Por isso fiquei semanas burilando um trajeto que fosse ao mesmo tempo:
  1. Possível de ser feito com a milhagem.
  2. Plausível como viagem coerente (falhei um bocado aqui, mas a galera fez vista grossa).
  3. Dissimuladamente, uma sucessão de escalas em países ermos.
O mapa abaixo mostra todas as escalas da viagem. Vamos analisá-las uma a uma para mostrar porque as escolhi.

16 vôos em 30 dias

Ida

Houston. O hub da Continental Airlines é inevitável, mas não é de todo ruim, pois fica no 2o maior estado americano. Sem tirar o pé do aeroporto, risco da lista todo o Texas,

Los Angeles. Ponto de partida para atravessar o Pacífico e maior cidade do terceiro maior estado americano. Se algum dia eu for ao Alaska, terei conhecido quase metade do território americano sem nunca ter estado em 90% dos seus estados.

Taipei e Hong Kong. Escalas da viagem que não poderei computar, já que não poderemos sair do avião.

Cingapura. O ponto fraco da lista. Uma nação longíngua como qualquer uma fora do Atlântico. Mas dentre as asiáticas, Cingapura é uma das mais calejadas, e ainda por cima mixuruca. No mapa, o pisão pra fora do aeroporto vai ter quase o mesmo tamanho do país.

Bali. A milhagem nos deixa aqui. Não tinha vaga até a Tailândia. Mas por que Bali e não Kuala Lumpur, a família pergunta. Afinal, a passagem pra Bangkok é bem mais barata de lá.

Motivo alegado: belas praias (Atlântico, Indico, Pacífico) e templos curiosos (cristãos, muçulmanos, judaicos, hinduístas, animistas, budistas, taoístas) valem o dinheirinho a mais da passagem.

Motivo real (ultra-secreto):


Viagem

Tailândia. A razão de ser inicial da viagem, cheia de praias, ruínas, templos (budistas), trânsito, comida e pescoçudas. A verdade é que, pela lógica que a coisa tomou, poderia ter trocado a Tailândia por Myanmar, mas seria muita cara de pau.

Camboja. Não é só por ser um país ermo. Isso tem vários ali perto. É a sonoridade do nome. Cam-bo-ja. Tem algo de ridículo em se deixar dizer “Fui ao Camboja”, e esse é o espírito da coisa. Talvez por ser um país masculino que termine com “A”. Talvez sejam essas sílabas, BO-JA. Não sei. Oficialmente, vamos a Angkor Wat. Subrepticiamente, vamos pra encher a boca ao dizer “visitei as maravilhas do Camboja”.

Volta

Filipinas. Daqui começa nossa odisseia de volta. O trecho a partir de Bangkok estava indisponível. Nada mais conveniente. As Filipinas são o maior arquipélago do mundo. Um passo pra fora do aeroporto e plof, as ilhotinhas estão todas marcadas. Um ignorante em geografia pode até achar que cada uma é um país diferente.

Guam. Sem dúvida, o ponto alto da viagem. Guam, pouco mais que um arrecife no meio do Pacífico, base militar americana, 3a bandeira mais feia do mundo, será provavelmente o lugar mais esquisito que eu jamais irei na vida. Uma pena que não chegaremos na Páscoa, quando a tradição local promove uma gigantesca caça ao ovo em uma das ilhas. Ou talvez melhor assim. Como seguir a vida tendo a certeza de que o ápice já passou?

Guam fica a 2000 Km da Indonésia, a porção de terra com tamanho razoável mais próxima.

Havaí. Pode não ser grande, mas por estar no meio do oceano (Pacífico) é a figurinha mais difícil do álbum de estados americanos. Troco por quem tiver Idaho, Wyoming e mais uns 5 ali do meio-oeste.

Houston novamente, e depois, Rio de Janeiro. Ah, tédio.

5 Comments:

At 11:26 AM, fevereiro 08, 2010, Blogger Luyza said...

So pra vc nao achar que esta sendo seguido somente por robos... parece q esse post foi bem popular pra eles...
 

At 1:11 PM, fevereiro 27, 2010, Blogger Mauro said...

Posso comentar aqui também ou é só pra spammer?

Não entendi a razão dos rabiscos.É você riscando as figurinhas que já tem?
 

At 12:31 PM, junho 10, 2010, Anonymous Luyza said...

Ih... acho que o aviao pra Guam foi parar na ilha do lost...
 

At 10:29 PM, julho 17, 2010, OpenID Lili said...

É muito chato quando não consigo identificar o que é verdade e o que é mentira dos seus posts. :|

Mas se metade disso for verdade... UAU, hein!? Ou melhor, se Gaum for verdade, dane-se o resto e aí UAU, hein?!

Bjo.
 

At 9:52 PM, agosto 19, 2013, Anonymous Anônimo said...

Houston, sempre Houston.

P.

p.s: O link para o ranking das bandeiras mais feias do mundo(e a nossa está lá firme e forte)já vale a o post.

p.p.s: Myanmar não, né. Burma (ou Birmânia). :p
 

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Profile

Rodrigo Rego

Sou designer, fascinado por bandeiras, jogos de tabuleiro, países distantes, e uma miscelânea de assuntos destilados quase semanalmente neste espaço.

Visite meu site, batizado em votação feita aqui mesmo, Hungry Mind.

rodrego(arroba)gmail.com
+55 21 91102610
Rio de Janeiro

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