sábado, julho 04, 2009

Curtinhas do Nordeste

O centro de Recife é como o do Rio de Janeiro, mas sem o que lhe resta de dinamismo econômico. Um farelo de prédios coloniais ilhados numa enorme Uruguaiana.

Já Caruaru é como o centro de Recife, mas sem os prédios coloniais.

* * *


Ainda não vi praia mais bonita que a do Curral, ao lado de Pipa, no Rio Grande do Norte. Os golfinhos pulam num mar morno e calmo, se bobear quase doce. Como moldura, 30m de falésias vermelhas caindo em arco sobre o coqueiral na areia deserta.

* * *

Mas o melhor momento da viagem durou só alguns minutos, já voltando pra Recife, no início da costa paraibana. Nosso carro chacoalhando por uma estrada de terra batida em meio ao canavial, procurando à noite uma entrada para voltar à BR. Só o que se via eram luzes vermelhas no horizonte, mais de 50, quase em fila, pairando a 40m do chão.

Dado o vazio da área, não podia ser linha de transmissão. Podia ser um campo de pouso, talvez não apenas para aviões, pois havia mesmo um aspecto de contatos imediatos rondando no ar.

A estrada cortava o canavial direto em direção às luzes, e mesmo cada vez mais perto, a noite não deixava ver nada que segurasse aqueles pontos flutuantes.

Paramos o carro em meio a elas. Pairando todas à mesma altura sobre nossas cabeças, mas não totalmente alinhadas. Piscavam rapidamente em intervalos regulares. Mesmo debaixo delas, ainda não dava pra divisar que estrutura as erguia.

Não é a luz que está piscando, — disse o Vítor. — É uma pá que está passando na frente.

E era mesmo. Com esforço, dava pra ver brevemente o contorno da hélice quando a luz vermelha a iluminava por trás. E a partir dela, adivinhar as formas de uma usina eólica, no contraste sutil entre os tons de escuro. Com seu compasso majestoso, ainda que apenas sugerido pelo eclipse ritmado na luz vermelha. 50 delas empinadas naquele canavial ventoso, compondo um cenário místico que a gente contemplou em silêncio, num estado de hipnose.

E aí o Quintanilha começou a reclamar que ali era perigoso, nós fomos embora e o melhor que eu consegui foi essa merda de foto. Dá pra ver alguma coisa?

4 Comments:

At 3:51 PM, julho 06, 2009, Blogger Mauro said...

Esse negócio de energia eólica deve ser mesmo ótimo para o ramo de assaltantes de turistas otários parados no meio da estrada.

Mas... quanto adjetivo hein? A viagem deve ter sido boa mesmo.
 

At 4:00 PM, julho 06, 2009, Blogger Rodrigo Rego said...

Eu tenho lido um pouco de alta literatura, isso me deixa mais loquaz.
 

At 11:16 AM, julho 10, 2009, Blogger Luyza said...

e esse loquaz vc guardou na manga so esperando o momento certo de usar?
hihi. Perfeito o tom meio irritadico do "so esse merda de foto" pro final do texto com tantos adjetivos...
 

At 11:56 AM, julho 10, 2009, Blogger Rodrigo Rego said...

Loquaz é uma palavra que cabe bem em qualquer lugar =)

Esse texto loquaz é que, lido de novo um tempo depois, me dá uma sensação de breguice acachapante.

E fiquei tão frustrado com a foto...
 

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Profile

Rodrigo Rego

Sou designer, fascinado por bandeiras, jogos de tabuleiro, países distantes, e uma miscelânea de assuntos destilados quase semanalmente neste espaço.

Visite meu site, batizado em votação feita aqui mesmo, Hungry Mind.

rodrego(arroba)gmail.com
+55 21 91102610
Rio de Janeiro

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