sábado, julho 01, 2006

Pele x Maradona

O saldo até agora é positivo, várias coisas boas compensam o jogo da Suíça e Ucrânia. Uma delas é a presença maciça de grandes jogadores do passado envolvidos na Copa. Beckenbauer foi quem organizou a festa, consegue a proeza de estar presente em todas as partidas, averiguando tudo da tribuna de honra. Zico e Van Basten foram técnicos no Japão e Holanda, Klinsmann treina a Alemanha, Zidane joga na França, sem contar todos os ex-campeões que desfilaram na festa de abertura. E tem Pelé, que veio carregando a taça na mesma festa, e aparece quase tanto quanto Beckenbauer nos estádios, lá do seu trono de onde acena para a multidão submissa sempre que é mostrado no telão. E tem Maradona, tresloucado na arquibancada, empurrando a Argentina com a barriga e roendo as unhas como um plebeu. O contraste de postura entre ambos não deixa dúvidas sobre quem deve ser aclamado Rei do Futebol.

Pelé assiste os jogos cercado por vidro blindado e tomando champanhe. Maradona tem que aturar o abraço dos suvacos vizinhos a cada gol da Argentina.

Pelé permanece esbelto, fôlego de atleta como quarenta anos atrás. Maradona não é mais a aberração que disputava manchetes com Michael Jackson, mas estabilizou seu formato num ovóide ainda ridículo.

Formato esse que Maradona acentua pela sua euforia desmedida, mais caricata que a de qualquer torcedor. Enquanto Pelé permanece comedido, político, majestoso.

Pelé veste terno. Maradona se cobre do que o Galvão Bueno chama de patuás por cima do uniforme da seleção argentina que mal esconde seu umbigo.

O uniforme denuncia que Maradona está pouco se lixando pra fair play, empobrecimento do espetáculo, disseminação do futebol, inclusão social. Maradona veio pra copa torcer pra Argentina e a essa hora deve estar de volta em casa. Já Pelé assumiu uma atitude supranacional. Está lá para promover o esporte. Assume ares de imparcialidade, faz análises isentas, que quase sempre, mesmo contra todas as evidências, tendem a detonar com seu país natal.

Maradona reclama a majestade. Pelé não.

Claro que é Pelé o rei do futebol. Mas apesar de não dispensar idolatrias, o futebol despreza monarcas, suntuosidades. Talvez por isso que o rei do futebol seja esnobado e vire piada no seu país de origem, enquanto Maradona na Argentina virou deus, mesmo cheirando coca e sem jogar tanta bola.

3 Comments:

At 7:51 AM, julho 01, 2006, Anonymous Bárbara said...

ah... sinceramente... eu prefiro o rei que pula nos gols e se cobre de patuás, e que vai nos jogos por amor à camisa, em vez do rei que vai aos jogos por causa do gordésimo contrato com a Mastercard.

detalhe: ótimo toque, colocar Zidane na lista dos "jogadores do passado" hehehe =)
 

At 8:07 PM, julho 02, 2006, Blogger Rodrigo Rego said...

se ele não fosse argentino, eu também preferiria...

e quanto ao Zidane... esquece.
 

At 8:21 PM, julho 02, 2006, Anonymous barbara said...

maldito zidane... joga muito
 

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Profile

Rodrigo Rego

Sou designer, fascinado por bandeiras, jogos de tabuleiro, países distantes, e uma miscelânea de assuntos destilados quase semanalmente neste espaço.

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